domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eu perdi a vergonha

Eu perdi a vergonha.

Não franzas a sobrancelha!

Vai chegar o dia,

Mesmo que na velhice tardia,

Que hás de perder a vergonha!

Eu me antecipei,

Quer dizer,

Primeiro foi o orgulho,

Pus no armário lá dos fundos

E nunca mais achei.

Mas por hora eu afirmo,

Sem prejuízo do dito,

Tenho pressa, fome, sede

E para saciar-me ainda verde

Foi que perdi a vergonha.

Perdoem-me a indecência,

Mas esta dama errante

Já perdeu, de tempo, o bastante.

Pelos erros paguei e pagarei

Mandem-me as contas

Que estas sempre chegam

Mas agora nada me importa

Estou viva não morta

Abri o novo parágrafo

O vento me leva nos braços

O amor me sorri tarado

E tenho não é de hoje

Espírito on the road

Portanto, crianças:

Antes que a terra me coma

Eu perdi a vergonha.

2 comentários:

Paulo Nunes disse...

Muito bom, Synara!!! De verdade, sou chato, quase nunca digo isso a ninguém...

Aconselho a segurar o seu material melhor, ou então registrar antes de colocar na internet, os copiadores são muitos...

Jorge R. Tomás Japur disse...

"Antes que a terra me coma
Eu perdi a vergonha."

Essa passagem, Nara, lembrou-me o trecho de uma poesia do Fagundes Varela:

"Canto as mulheres e as musas,
As venturas, o prazer,
A vida é triste mentira,
Gozarei até morrer."

Com licença agora, vou lá encher a cara. eauhuhaa :P